Uma crônica do tempo

Os segundos passavam na metade do tempo, de repente eram passados das 8h30 e certamente, hoje o atraso estava com hora marcada. De repente dentro do carro, a radio fica fora de sintonia (todas estavam). Depois de apertar alguns botões, olhei ao redor e tudo estava imovel, definitivamente tudo. Eu não podia acreditar no que estava vendo. Loucura é a resposta. Dou a seta, mas como sair do lugar em um mundo estático.

Saio do carro em busca de respostas, mas as dúvidas só aumentavam, por onde eu andava, não via mais ninguém ao meu redor, eram apenas traços de suas existências, exceto por um sennhor de aparencia cansada, porém acolhedora, alimentava passáros com uma precisão que assertivamente a migalha de pão encontrava os bichos no chão, ele era algo que eu podia ver, e apesar de suas mãos estarem imóveis, ele seguia ali, não se sabe por quanto tempo.

No trabalho, não há ninguém, exceto a senhora a magrela que limpa a sala todas as manhãs.

Arranquei os cabos conectados ao laptop. Não vai ser eu que vou desperdiçar um dia lindo desses – pensei.

No trabalho, não há ninguém, exceto a senhora a magrela que limpa a sala todas as manhãs.

  Chegando em casa, vazia, crianças na escola, mulher no trabalho, deitei na cama com o trabalho todo para fazer, depois de um tempo que eu não sabia mais quantificar, estava cansado de ficar apenas deitado, precisava da energia de sempre, mas e as crianças.

   Visito a escola, andando pois meu carro ficou naquele trafégo intenso da manhã (talvez ainda seja de manhã). Minha mulher deixava as meninas com a professora, a cara de sempre, porém agora sem um movimento se quer. – Estão bem, um alivio veio.

Sigo até o mercado e pela primeira vez, descobri a cor do chão e decorei a ordem dos corredores, para nunca mais errar. Deixei uma gorjeta no caixa por me passarem na frente da fila.

  Comprei um livro no mercado, eles vendem de tudo…

   Sentei ao lado do senhor enquanto ainda vislumbro o sol no alto da minha cabeça, leio até a metade do livro, adormeço.

Quando acordo, o tempo estava de volta ao normal, e eu estou atrasado.

Autor: Vinicius Ferreira.

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