Sentado no alto de um prédio não tão alto assim, em uma espécie de barreira de proteção.
Lembro da época que sentia medo de estar tão próximo a borda, do sol sobre a cabeça, iluminando a rua uniformemente durante as longas horas do dia. Lembro de estar sentado horas, apenas com algumas pequenas folhas e um lapis velho. Lembro também das pessoas cruzando de cima a baixo, de um lado a outro, indo e vindo de forma tão única. Do cheiro que o ar tinha, um defumado doce, intrigante mas suave o suficiente para não incomodar.
Agora, sentado no mesmo lugar, todas as lembranças revelam um sentimento impreciso, um tipo de saudade que acaba com uma profunda melancolia. Olhando para as pessoas, sentindo o cheiro, agora sem as folhas em branco, percebo o que sempre esteve ali. A mudança.
Talvez esse prédio nem esteja mais aqui daqui um ano, talvez amanhã o cheiro mude, ou as ruas se esvaziem muito em breve. Talvez tudo tenha mudado, talvez não. Enquanto sigo sentado naquele lugar de reflexão, me surge um pensamento importante: